Servidores do TRF-3, do JEF e da JF vão parar por mais verbas para a saúde

Os servidores da Justiça Federal em São Paulo vão paralisar o trabalho por duas horas, das 14h às 16h, na próxima quarta-feira (9 de agosto), a fim de cobrar da Administração do TRF-3 mais verbas para a assistência médica. Nesse dia também haverá assembleia geral (veja edital abaixo) e um ato público diante do prédio do Tribunal, na Avenida Paulista, mesmo local onde os servidores realizaram uma assembleia nesta quarta-feira, 2.

“Vamos nos concentrar na luta por mais verbas, cobrando a Administração e o CJF [Conselho da Justiça Federal]”, disse a diretora do Sintrajud Ana Luiza Figueiredo, servidora aposentada do TRF-3.

Um abaixo-assinado contra o aumento da mensalidade do plano de saúde, operado pela empresa Amil, está circulando entre os servidores (veja o documento neste link).

Luta é também por transparência

O reajuste, que pode chegar a 47% no valor da mensalidade (dependendo da faixa etária), não foi negociado com a categoria e já começa a pesar nos contracheques deste mês, somando-se à elevação de 19% fixada em março.

“Os juízes e desembargadores podem até concordar com esse aumento, porque têm ‘gordura’ para queimar”, afirmou o servidor José Pessoa. “Mas nós, que lutamos durante nove anos para conseguir um reajuste salarial de 15%, de onde vamos tirar?”, indagou.

A paralisação e o ato da próxima semana, assim como a assembleia desta quarta-feira, fazem parte da luta dos servidores para, de um lado, conseguir que o TRF-3 aumente sua contribuição ao custeio da assistência médica. De outro lado, os servidores lutam também para obter maior transparência na negociação entre o Tribunal e a Amil, enquanto questionam o índice de reajuste.

Já na semana passada, representantes do Sintrajud levaram essas demandas à presidente do TRF-3, desembargadora Cecília Marcondes, que recebeu uma comissão do Sindicato depois de ser pressionada por um protesto que reuniu centenas de servidores diante do Tribunal.

“Ela se mostrou intransigente no início; depois recebeu nosso requerimento e disse que vai analisar, mas não deu garantias”, contou a servidora do JEF Maria Ires Graciano, diretora do Sintrajud que participou da audiência com a desembargadora.

 “Cheque em branco”

O advogado César Lignelli, do departamento jurídico do Sintrajud, e o economista Washington de Moura Lima, assessor econômico do Sindicato, participaram da assembleia. César explicou que o reajuste do plano de saúde se baseia na chamada sinistralidade, que não atende determinações do Código de Defesa do Consumidor e onera excessivamente os consumidores. “A sinistralidade está prevista no contrato, mas é como se fosse um cheque em branco para a operadora, que não quer assumir os riscos do negócio”, apontou o advogado.

Já o economista Washington Moura Lima, que analisou o orçamento do TRF-3, mostrou que o Tribunal dispõe de margem para solicitar um crédito suplementar em seu orçamento para custear a assistência médica (veja os estudos do economista neste link e neste).