Servidores do Judiciário não tem dois meses de férias

Servidores do Judiciário não tem dois meses de férias

Fake News não é privilégio da internet e antes dela, sempre foi largamente usado fosse no rádio, TV ou jornal impresso. O viés, distorcido, sempre se prestava a alguma causa de interesse, geralmente, dos proprietários destes veículos ou dos grupos econômicos a eles vinculados. E nos dias de hoje não é diferente.

Surfando na barrigada e usando dela para taxar a peja de persona non grata nos servidores públicos do Poder Judiciário, noticiosos como Valor Econômico, IG Economia (AQUI) e Poder 360°(AQUI), estamparam fartamente em suas matérias que SERVIDORES DO JUDICIÁRIO tem dois meses de férias. Dever de casa completo com nota integral ficou com aqueles que optaram pela abordagem correta: férias de dois meses para MAGISTRADOS e PROMOTORES.

O erro, muito primário e que não sobreviveria a uma revisão minimamente criteriosa se feita com alguém com também de mínima expertise, joga na coluna de férias, o recesso forense que fecha as unidades do Judiciário entre 20 de dezembro e seis de janeiro. É um recesso, estabelecido por lei, que regula o funcionamento dos órgãos públicos.

Férias, propriamente ditas, servidores do Judiciário tem direito a apenas 30 dias. E nada mais. São férias, por lei estabelecidas, por lei reguladas e pela lei definidas.

Mas a celeuma é pura cortina de fumaça e esconde um viés cruel, uma face crua e feia do empresariado nacional: criminalizar os servidores públicos como se gozassem de regalias, para garantir que o empregado do setor privado continue ganhando miséria, sendo explorado até o sangue. Para o patrão privado, manter seu empregado revoltado contra os “altos salários e as regalias dos servidores públicos” é a certeza de lucros altos com corte nos benefícios da própria equipe.

É como cortina de fumaça que também inseriu esse dispositivo na reforma administrativa. Não é ponto central ou inarredável no conjunto das propostas, mas é um excelente pacote de negociação e digressão plausível. Como os dois meses de férias, também a fusão de munícipios na proposta do pacto federativo tem características de elementos inseridos para serem negociados e ajudarem na construção da narrativa do governo, que teria “tentado solucionar o problema do Brasil”.

Enquanto oposição e opinião pública se digladiam acerca do que é ou não bom para o País, o governo revela seus planos e descaradamente, Paulo Guedes assume que “gestão da dívida” é entregar aos bancos, o dinheiro dos 280 fundos na mira da extinção proposta pela PEC. Na visão do ministro-banqueiro, os fundos dificultam essa gestão da dívida. Na verdade, eles disputam a guarda do dinheiro com os bancos. São concorrentes.

Mais que alvo da fome por lucro do empresariado nacional e do sistema financeiro, os servidores públicos são também a última barreira na garantia de acesso à cidadania: saúde, educação e segurança pública, garantidas pelo Estado.