Austeridade fiscal e assédio em discussão na Plenária da Fenajufe

 

 

 

As discussões ocorridas na tarde de sexta, 3, da XXII Plenária Nacional da Fenajufe foram relacionadas a um tema bastante delicado para o servidor, que foi a Saúde do trabalhador/ Assédio Moral e a Precarização, Terceirização e Desmonte do PJU e MPU. O médico Roberto Heloali e a professora Marilane Teixeira abordaram as ameaças de extinção do serviço público e o crescente número de suicídios registrados entre servidores públicos. A direção dos trabalhos ficou sob a responsabilidade dos coordenadores Marcelo Ortiz e Marcos Santos e da coordenadora Mara Weber.

Os painéis foram pensados para trazer aos plenaristas a reflexão sobre como a nova organização do trabalho impacta diretamente as relações de trabalho e reflete na vida pessoal do trabalhador. A austeridade que permeia o discurso da “ administração eficiente” é o argumento amenizado da maximização de lucros. Aplicada ao serviço público, os resultados são catastróficos para a integridade física, social, laboral e emocional do trabalhador.

Na avaliação de Marilane Teixeira, o ajuste fiscal implementado pelo governo colocará o país entre os cinco menores países do mundo em investimentos sociais. E o pior: o ajuste ameaça frontalmente o serviço público brasileiro, cobiçado pela iniciativa privada, ávida em privatizá-lo. Os dados apresentados pela palestrante estão condensados no livro  “Economia Para Poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil” organizado por Pedro Rossi, Esther Dweck e Ana Luiza Matos de Oliveira, no qual ela é uma das autoras.

Na abordagem de Roberto Heloani trouxe ao debate o suicídio como expressão da deterioração da condição existencial do indivíduo. Autor de um detalhado estudo sobre suicídio no serviço público, o médico alerta para a letalidade do assédio moral. Segundo ele, todo suicídio é uma mensagem do individuo sobre o que se passa em sua vida. Mortes no ambiente de trabalho refletem a deterioração das condições laborais e a frequente exposição ao assédio. São reflexos diretos da nova organização do trabalho, que transforma chefes e subordinados, em meros cumpridores de metas.    

As palestras da professora Marilane Teixeira e do professor Roberto Heloani serão disponibilizadas posteriormente, editadas.  Assista a apresentação dos palestrantes durante a XXII Plenária Nacional da Fenajufe, no canal da Fenajufe no Youtube (aqui).

Fala paritária

A mesa de carreira inaugurou uma nova fase na Fenajufe na luta pela igualdade de gêneros. Pela primeira vez, o sorteio das falas foi feito de forma paritária: dez plenaristas sorteados, sendo cinco homens e cinco mulheres. Mara Weber, propositora do modelo, comemorou o feito histórico.