Líder Guarani-Kaiowá denuncia extermínio de índios e indiferença da Justiça brasileira

A líder do povo Guarani-Kaiowá, Valdelice Veron, teve participação de destaque durante os trabalhos do 9º Congrejufe, em Florianópolis (SC), ao denunciar o massacre de seu povo. Ela conta que foram mais de 300 mortes de lideranças indígenas em conflitos fundiários nos últimos dez anos em Mato Grosso do Sul. E mais: segundo a porta-voz, a situação de risco continua e os ataques estão cada vez piores.

Emocionada, Valdelice Veron acusou a justiça brasileira de cumplicidade com a situação de violência sofrida pelos Guarani-Kaiowá.  “Nossos filhos e filhas estão sendo estuprados e o Judiciário tem se calado”, acusa. Valdelice denuncia ainda que várias lideranças estão marcadas para morrer, inclusive ela.

Por quase cinco minutos a líder indígena foi aplaudida pelo Plenário de um Congrejufe comovido com o relato de um povo exilado em sua própria nação. Valdelice conta ainda que os Terena também passam pelo mesmo dilema.


Cacica no Congresso

Já é tradição nos Congressos da Fenajufe a distribuição de materiais de sindicatos e venda de livros. Nesta edição mais uma vez foi organizada exposição de fotos para mostrar os fatos mais importantes ao longo da atual gestão, entre os quais a greve de 2015. Na quinta-feira (28/4) os indígenas da Terra Indígena Morro dos Cavalos, localizada em Palhoça, na Grande Florianópolis, também expuseram artesanato, com a presença da cacica da aldeia, Kerexu Yxapyry (Eunice Antunes). A Cooperativa Desacato, de Florianópolis, vendeu camisetas com o registro da luta pela auditoria da dívida pública.

Kerexu foi convidada para estar no Congrejufe no mesmo dia da visita da Guarani-Kaiowá Veranice Veron.