A luta recomeça: com centenas de trabalhadores, Sintrajufe/RS participa de protesto contra Temer e aponta 2017 de mobilização contra reformas

Sintrajufe/RS

A manhã desta segunda-feira, 9, data de retorno ao trabalho dos servidores do Judiciário Federal, evidencia como será o ano que acaba de começar: com luta. Na primeira visita de Michel Temer (PMDB) ao Rio Grande do Sul como presidente da República, centenas de trabalhadores de diversas categorias realizaram um grande protesto, trancando a BR 116 por cerca de uma hora para mostrar a insatisfação com as medidas propostas por Temer e pelo governador José Ivo Sartori (PMDB). O Sintrajufe/RS participou do ato público, com os colegas do Judiciário Federal partindo em direção a Esteio a partir das varas trabalhistas, onde se reuniram desde o início da manhã. 
 
Desde às 9h, servidores estaduais e federais, representantes de diversas entidades e centrais sindicais começaram a reunir-se em frente ao Parque de Exposições, em Esteio, onde Temer e Sartori participariam de uma cerimônia de entrega de ambulâncias a prefeituras do Rio Grande do Sul. Os primeiros trabalhadores que chegaram ao local encontraram um dos portões abertos e, ao entrarem no Parque, foram expulsos com empurrões e spray de pimenta pelo Choque da Brigada Militar.
 
Durante mais de uma hora, os trabalhadores ficaram em frente a um portão lateral de acesso ao Parque de Exposições, entoando cânticos e palavras de ordem contra Temer e Sartori. Como alvos diretos, a PEC 55, a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, no âmbito federal, e a extinção de fundações e a tentativa de privatizar empresas estatais no Rio Grande do Sul.
 
 
 

Por volta das 11h, os manifestantes saíram em caminhada em direção à entrada principal do Parque. Temer chegou de helicóptero, fugindo da indignação popular, mas os trabalhadores chamaram a atenção para suas pautas tracando todas as pistas da BR 116. Por cerca de uma hora, permaneceram na estrada, com faixas e bandeiras, denunciando os ataques a direitos desferidos pelos governos federal e estadual. Em determinado momento, quando os manifestantes já se preparavam para começar a liberar as pistas, um policial rodoviário orientou as motos que aguardavam a liberação a avançarem sobre os trabalhadores, colocando em risco a integridade física tanto de uns quanto de outros. Após alguns momentos de tensão, as pistas foram liberadas, encerrando o ato público.  
Para Cristiano Moreira, da direção do Sintrajufe/RS, "o ato público marca o início de 2017 com luta, dando o recado a Temer de que não terá paz e não vamos aceitar retirada de direitos". O sindicalista destaca que "a Reforma da Previdência proposta por Temer irá exigir que trabalhemos, praticamente, até morrer. Estamos diante de um ataque sem precedentes e, nesse contexto, é nossa obrigação tomar as ruas e resistir". O dirigente aponta a greve geral como principal instrumento para derrotar o governo: "o governo, ilegítimo e acuado por escândalos de corrupção, está fragilizado. Podemos derrotá-lo com unidade e real disposição de todos para construir a necessária greve geral". 
 
O 9 de janeiro foi a abertura de um ano que terá que ser de muita luta. O Sintrajufe/RS certamente estará à frente das mobilizações necessárias para enfrentar os ataques de Temer e Sartori aos trabalhadores. A reforma da Previdência já tramita no Congresso, e, até o fim do ano, Temer pretende fazer avançar também uma reforma trabalhista que nada mais faz do que retirar direitos. A construção de uma greve geral é uma necessidade que se impõe, e passa pela urgente unidade e pela ampliação da mobilização em defesa dos direitos de todos os trabalhadores brasileiros.