Bolsonaro e seus ministros seguem desinformando em 2020

Bolsonaro e seus ministros seguem desinformando em 2020

O ano mal começou e a tônica do governo continua sendo desinformar. Em um vídeo publicado nesse domingo (12) na página do presidente Jair Bolsonaro no Facebook, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse - sem apresentar nenhuma evidência - que concursos públicos selecionam pessoas com viés de esquerda. O ministro também criticou a quantidade de servidores da pasta. "É um colosso, dos 600 mil funcionários do Governo Federal, 300 mil estão no MEC".

O ministro continua o vídeo atacando o último concurso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Entre na internet e veja como foi o último concurso público. Se você ver, é um concurso que não tem praticamente nada de matemática e está lá falando governo estadunidense. Então você, na seleção, já seleciona pessoas com viés de esquerda nos concursos, como é o Enem”, diz. Weintraub não deixa claro em nenhum momento qual é a relação do termo estadunidense com a ideologia de esquerda.

Por fim, na postagem intitulada "doutrinação e mentiras até nos concursos", o ministro afirma que a suposta doutrinação começou no governo Fernando Henrique. "A gente não está falando de 16 anos de PT, a gente está falando mais de um quarto de século. De continuamente uma doutrinação que começa de uma forma suave e gradualmente você vai começando a achar o errado normal. E de repente você tem que achar o errado bonito. É disso que a gente está falando”, conclui.

O próprio ministro já foi aprovado em concurso público e se afastou de seu emprego como professor da Universidade Federal de São Paulo para assumir o MEC.

A peça foi produzida com a explícita intenção de viralizar como "fonte" oficial do governo e embasar mais fake news.

Colecionador de polêmicas e erros de português

Abraham Weintraub tem tudo para se tornar o pior ministro de um governo desde a redemocratização no País. Sem nenhum apreço pela liturgia do cargo (seguindo o exemplo de seu chefe), o ministro coleciona polêmicas e erros de português. Na última quarta-feira (8), escreveu no Twitter que um fato era "imprecionante" (com 'c' em vez de 'ss') ao responder o filho 02 de presidente. No mesmo texto, Weintraub não colocou hífen na palavra pós-doutorados.

Em outra oportunidade, escreveu em ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, "paralização" (a grafia correta é paralisação). Durante audiência no Senado, em junho do ano passado, Weintraub chamou o escritor Franz Kafka de "kafta" - que é um prato de origem árabe.

No feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, o ministro elogiou à Monarquia em uma publicação no Twitter. Uma internauta comentou que o ministro seria o “bobo da corte” numa possível volta do regime e Weintraub, de pronto, respondeu, chamando a mãe da seguidora de “égua sarnenta e desdentada”. O comentário e a resposta foram apagados.

Em maio, Weintraub protagonizou em um vídeo uma das cenas mais bizarras e estranhas para um ministro de Estado: ele aparece girando um guarda-chuva ao som de 'Singing in the rain' e diz que está chovendo fake news ao negar o bloqueio de verbas do Museu Nacional.

 

Raphael de Araújo, da Fenajufe