13,23%: Nossa sede por direitos nunca pode colocar em risco o direito do outro

13,23%: Nossa sede por direitos nunca pode colocar em risco o direito do outro

Por Cledo Vieira, coordenador-geral do Sindjus-DF e da Fenajufe

Este artigo é de inteira responsabilidade do autor, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria da Fenajufe

Quem vai com muita sede ao pote acaba entornando a água. O dito popular é de grande valia neste momento para aqueles que, de olho no direito dos outros, podem colocar tudo a perder. Há um grupo de sindicalistas e servidores fazendo muito barulho para que a vitória alcançada pela Anajustra e seu eminente escritório jurídico no processo dos 13,23% seja estendida para todos os ramos do PJU.

Quero alertar as pessoas que não estão sendo beneficiadas, pois tal vitória só atende a Justiça Trabalhista, que a decisão do TST foi tomada com várias cautelas, sendo assim, é preciso primeiramente consolidar a vitória na Justiça do Trabalho antes de discutir o percentual para outros ramos. O presidente do STF já foi procurado pelo Sindjus-DF e pela Federação sobre esta questão, pois a forma mais viável de se conquistar isso é pelo Supremo.

Acredito se tratar de uma questão de tempo para que todos recebam o percentual, mas para que isso aconteça não podemos entornar a água do pote, ainda mais porque o pote em questão ainda está bastante frágil e pode se quebrar, desperdiçando assim não só o direito conquistado pelos servidores da Justiça do Trabalho como a esperança de toda categoria em recebê-lo num futuro próximo.  

Não dá para cada um dos 31 sindicatos e a Federação, de forma açodada, quererem estender um direito antes de consolidá-lo na própria Justiça do Trabalho. É dever das entidades sindicais defender qualquer direito, independentemente se ele ainda não pertence ao todo. É como a chama de uma vela em dia de vento, é preciso fazer de tudo para que ela não se apague, pois se for apagada não vai poder acender outras velas.

No entanto, alguns sindicalistas além de por em risco o direito de um grupo de servidores ou de um ramo da Justiça que outros não têm ainda chamam-no de penduricalho. Inveja? Ganância? Egoísmo? Tais sentimentos não devem existir quando se atua em defesa do conjunto da categoria.

Num passado recente, muitos viam direitos que somente alguns servidores tinham como um penduricalho. Eu sempre fui pela linha de que é preciso consolidar um direito para depois expandi-lo, jamais trabalhando para retirar conquistas de ninguém.

O direito de alguns representa o início de uma caminhada de luta para que todos possam também adquiri-lo, dessa forma, preocupo-me com esses que se atropelam em nome de interesses pessoais. Por exemplo, se associações ou sindicatos questionarem no CNJ a razão de só a Justiça do Trabalho ter sido beneficiada, todos podem sair perdendo.

 

Não podemos prejudicar a Anajustra ou o seu escritório, cujos críticos querem pegar carona na onda de suas conquistas, pelo contrário, temos que dar a essa associação todo apoio necessário para que a conquista possa ser consolidada e aí sim expandida, afinal somos uma Federação e não uma Segmentação.

Todo cuidado é pouco, uma vez que temos a presidenta Dilma e a AGU debruçadas sobre um único objetivo: embarreirar ou destruir essa vitória. Ao contrário de colocarmos em prática o ditado “Quem vai com muita sede ao pote acaba entornando a água” devemos ser pacientes e agir com responsabilidade, afinal “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Fica aqui o alerta.